Celebração 120 anos

Discurso do Presidente do Conselho de Administração

Discurso do Presidente do Conselho de Administração no âmbito das celebrações do 120º aniversário da CEMAH

“Quando em 1896 um conjunto de ilustres angrenses decidiu constituir a Caixa Económica da Misericórdia de A. H. (…)”… Podia voltar a citar o prefácio da publicação “Recordar Cem Anos”, que tão bem narra a história desta Instituição, contudo, não o farei para não correr o risco de me tornar repetitivo nas intervenções que tenho vindo a fazer desde a tomada de posse enquanto Presidente do Conselho de Administração desta centenária Instituição, à qual me dediquei em cerca de ¼ (um quarto) da sua existência.

Porém, duas notas se impõem neste dia de comemoração dos 120 anos de existência da Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo (CEMAH), normalmente apelidada de Caixa do Jardim ou até da Santa Casa, por afinidade, retiradas também da História desta Instituição:
- Em primeiro lugar, por imperativo ético, gostaria de fazer menção aos 10 (dez) acionistas fundadores da Caixa Económica que subscreveram 80 (oitenta) ações de 10 (dez) mil Reis cada um, por escritura pública de 26 de abril de 1896, e que, posteriormente, após reembolso do respetivo capital que haviam adiantado, o entregaram à SCMAH, com o objetivo de contribuir para a realização dos nobres fins da Misericórdia, para que essa exercesse a caridade para com a Humanidade desvalida e enferma.
Não poderia deixar de, hoje e aqui, evocar o seu nome, até porque, para além de fundadores, foram estes que garantiram o funcionamento da Instituição até à entrega à Irmandade da SCMAH, em junho de 1912; portanto:
– Guilherme Martins Pinto Sénior,
– António Pedro Simões,
– Frederico Augusto de Vasconcelos,
– António Casimiro Mourato,
– José Luís Sequeira,
– Luís Manuel de Matos Faria,
– António Tomás do Canto,
– Henrique de Castro,
– Álvaro da Costa Franco, e
– Guilherme Martins Pinto Júnior.

Gostaria igualmente de, no seguimento, aludir a todos os que me antecederam no desempenho de tão honroso cargo de Presidência do Conselho de Administração ou Direção da Caixa Económica – como outrora fora designado –, desde a pertença da Caixa pela SCMAH:
– Sr. Manuel Alves de Bettencourt,
– Sr. Francisco José da Costa Vidal,
– Dr. Manuel Nunes Flores Brasil,
– Dr. Francisco Moniz de Oliveira,
– Eng.º Marcelo Simas Tomás Bettencourt,
– Dr. José Henrique Rocha Lourenço, e
– Dr. Carlos Manuel Brasil da Silva Raulino.

E, ainda, dirigir especiais palavras, a todos, sem exceção, quantos integraram órgãos sociais ou desempenharam funções nos seus quadros, recordando com especial saudade os que já nos deixaram e saudando de uma forma muito efusiva todos os outros, felizmente alguns dos quais presentes neste jantar comemorativo.
Se é grave esquecer os Homens, mais grave seria esquecer os motivos que os tornaram diferentes e grandes aos nossos olhos. Daí essa justíssima, embora simples, homenagem.
- Em segundo lugar, para citar dois parágrafos da alocução do Senhor Governador do Banco de Portugal, em ocasião das Cerimónias do Centenário, em 1996 (já lá vão 20 anos…):
– “Decerto não serão muitas as Instituições de Crédito que podem partilhar, com a Caixa Económica da Misericórdia de Angra do Heroísmo, o privilégio de poder comemorar um século de existência. A explicação para uma tão longa e rica existência institucional radica, certamente, na relevância dos serviços prestados, na capacidade de adaptação e num necessário rigor na gestão. (…) Sobre a capacidade de adaptação, nada melhor que observar o registo do passado século, constatar a profunda alteração que sofreu o sistema financeiro e verificar que a Caixa Económica sobreviveu a todas as mudanças, confrontando-se agora com este teste decisivo de concorrência, a partir do momento em que o grau de cobertura bancária regional aumentou e que a rapidez das comunicações deu origem a uma maior integração entre as diferentes redes bancárias, tanto a nível nacional como mundial.”

Devo, aliás, confessar que tenho particular satisfação por hoje ter a oportunidade de proferir, em voz alta, estas palavras: A CEMAH CELEBRA HOJE 120 ANOS DE EXISTÊNCIA! Sobretudo, dada “a morte anunciada” que nos últimos anos foi decretada à sua presença no sistema financeiro nacional e regional, e consequentemente na economia local, contrariando aliás as eloquentes e históricas palavras do Governador, há pouco citadas.
É certo que a Instituição não passou por mais de um século – e sobretudo nos últimos anos –, isenta de desafios e dificuldades, quer pelas idiossincrasias, quer por causa de fatores sistémicos, quer mesmo pela conjugação de fatores de uma e de outra índole.
Jamais se poderá esquecer que a sua missão é o cofinanciamento da obra assistencialista da sua Instituição Titular, a SCMAH. No entanto, o facto de estar investida de especial estatuto e de uma forte motivação para a obtenção de resultados para esse fim e para a dinamização da economia local e do espaço económico da Região Autónoma dos Açores (RAA), não deixa, contudo, de ser uma instituição de crédito, que opera no sistema financeiro e que está sujeita a leis e regulamentos que enquadram a atividade que sustenta na persecução da sua missão. Esta é uma realidade que, por si só, configura grandes desafios e que colocamos nas nossas prioridades.
Assim sendo, num contexto de particular caos e desequilíbrio das “verdades” económicas e dos mercados, e a partir da publicação do novo regime jurídico das Caixas Económicas – que vem conferir à CEMAH a identidade legal e prática de Banco – é, mais do que nunca, fulcral que se mantenha o conservadorismo dos princípios e dos valores que alicerçaram a definição estratégica, a tomada de decisão e a condução da atividade ou seja do negócio.
Nunca é de mais enfatizar que, pela CEMAH, passaram mudanças de governação e de regime no país e na região, crises mundiais na produção e nos mercados de commodities, crises e crashes do sistema financeiro, também a nível mundial, nacional e regional, alteração de enquadramento legal, regulamentar e estatutário, enfim, 120 anos de mutação do mundo tal como o conhecemos.

Contudo, esta Instituição não apenas sobreviveu como evoluiu e se transformou e se tornou resiliente:
- Hoje a CEMAH está habilitada para responder aos desafios do novo enquadramento regulatório, de forma autónoma e rigorosa;- Hoje a CEMAH repensa a sua arquitetura tecnológica, não no sentido de assegurar apenas os “mínimos olímpicos” para operar a sua atividade, mas no sentido de estar a par dos requisitos para a persecução da sua estratégia;
- Hoje, pela CEMAH se percebe a dita “banca de proximidade” não como um fator limitador, de todo, mas sim diferenciador de negócio, tanto numa perspetiva de relevância desse serviço no sistema financeiro como pela certeza e conservadorismo na tomada de decisão que advém do conhecimento de cada cliente – particular ou empresa – e de cada contexto.
É por todo este longo e meritório percurso que gostaria de terminar com uma palavra de esperança no futuro e confiança nesta equipa que, conjunta e sinergicamente, traçará o rumo da CEMAH para mais uma etapa…
Portanto, a todos os convidados, em especial representantes do poder político regional e local, colaboradores que são parte integrante da estrutura funcional e orgânica, membros da estrutura honorária ou histórica, importa, uma vez mais, por um ou por outro motivo, reiterar o agradecimento pelo seu/vosso contributo ao longo de todas as etapas anteriores e presente.
Uma palavra final e de grande destaque para aqueles que sustentam a nossa atividade, isto é, os clientes da Instituição. Atentos e exigentes, agentes de uma parceria dinâmica e construtiva, são a base do êxito desta história de longevidade, que os atuais órgãos sociais anseiam prosseguir, numa base sustentável e rumo a um futuro que, embora complexo, estamos confiantes que nos trará retornos suficientes, quer para persecução da missão de cofinanciamento da SCMAH, quer para a persecução da estratégia de consolidação da verdadeira “banca de proximidade” reivindicada no espaço económico da RAA.

António Maio


26 de abril de 2016